ÓBITO

Nata intelectual consternada com a morte do Jornalista e escritor angolano Dario de Melo

Morreu Dario de Melo, um intelectual de trato fino que dizia as verdades com frases abertas e que não deixava a verdade do poder sobrepor-se ao poder da verdade. Desapareceu um homem sincero, frontal, bondoso e cronista de humor refinado. O Jornalismo e a Literatura angolana ficam amputadas com o seu desaparecimento. Benguela, o seu berço-natal chora. O País está consternado! Mas os seus feitos e ensinamentos estarão sempre presentes na memória de todos os que com ele privaram em vida e beneficiaram dos seus ensinamentos. Estamos certos e seguros que os seus “discípulos” saberão honrar o seu nome. Dario Mendes de Melo, Presente!

DARIO DE MELO faleceu no passado domingo, vítima de doença, na província de Benguela. Escritor, professor e jornalista nascido a 2 de Dezembro de 1935, em Benguela, onde fez os estudos primários. Os estudos liceais foram no Porto, Gouveia e Viseu. Nesta cidade tirou o curso de Magistério Primário. Exerceu as funções de professor primário em Picoto (Cucujães), Manteigas e Vodra.

Radicou-se definitivamente em Angola em 1959 onde foi professor em Porto Alexandre (Tombwa), Buso Mazi  e Bela Vista (Katchiungo), director da Escola de Artes e Ofícios de Pereira de Eça (Onjiva).

Nomeado como subinspector Escolar Interino no Bié, tendo feito, posteriormente, curso para o referido cargo. Com a independência, já em Luanda, onde se refugiara, assume o cargo de inspector Adjunto e, com o Prof. Rafael Godinho (Português) faz os primeiros manuais para o ensino primário.

Em 1977 após um interregno forçado, deixa a Educação e é colocado por António Jacinto no recém-criado Instituto Nacional do Livro e do Disco (INALD). No campo jornalístico colaborou no Rádio Clube de Cabinda, Revista “Noticias” e no Jornal “A província de Angola”.

Dirigiu “A voz do Bié” em 1972, a revista “TVeja”(Revista de Televisão Pública de Angola), em 1983, o Jornal de Angola, o “Correio da Semana” que fundou em 1992 com Manuel Dioniso e o jornal “Jango” igualmente em 1992, depois da morte dos seus fundadores David Bernardino, Fernando e Miete Marcelino. Para além destas funções, publicou diversos artigos na imprensa.

Dos 18 títulos publicados, na área da literatura infanto-juvenil, destaca-se Estórias do Leão Velho (1985), Vou Contar (1988), Aqui, mas do Outro Lado (2000) e As Sete Vidas de um Gato (2002), com o qual obteve o prémio PALOP 98 de Língua Portuguesa de Literatura Infantil. Publicou também um livro de poesia, intitulado Onda Dormida.

É membro da União dos Jornalistas Angolanos e da União de Escritores Angolanos da qual já foi presidente da Assembleia Geral (1992-1994).

 

 

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