JOSÉ HONÓRIO

Jornalista agredido pela Polícia Nacional em Benguela sofre trauma na coluna cervical

O jornalista da Agência Angola Press (ANGOP), José Honório, terá sofrido trauma na coluna cervical, em consequência da violenta agressão por parte de nove agentes da Polícia Nacional, alegadamente já suspensos, na província de Benguela.

O caso aconteceu em 16 de Novembro de 2022, na rua José Pereira, na cidade de Benguela. Por volta das 17 horas, a vítima teria abordado policiais que tentavam levar produtos no interior do prédio da agência funerária Eterna e, ato contínuo, agredir vendedeiras, que, de joelhos e em lágrimas, imploravam que não levassem seu negócio.

Ao ser interrogado, o jornalista tentou identificar-se. Mesmo assim, os agentes começaram a agredi-lo violentamente e detiveram-no, tendo sido transportado sob condições desumanas e degradantes debaixo do banco corrido da carroçaria da viatura da PN, em cuja estrutura foi algemado.

Durante o percurso até à Primeira Esquadra, José Honório foi esmurrado no rosto, pisoteado nas costas, pescoço, peito e pernas, além de asfixiado algum tempo, e só não perdeu a vida por a trajectória ter sido relativamente curta, sem descurar a mão de Deus.

Fisicamente debilitado e com dificuldades de se locomover, o  profissional, que em Dezembro de 2016 levou para Benguela o Prémio Nacional de Jornalismo na categoria de Imprensa, o primeiro do género arrebatado por um jornalista da ANGOP, foi posto em liberdade, pouco depois, por ordem do comandante municipal da Polícia Nacional, Filipe Cachota, após averiguar a situação.

Entretanto, o trauma na coluna cervical afasta José Honório da redacção da Delegação Provincial de Benguela da ANGOP por pelo menos um mês. Além disso, ele usará o colar cervical até 45 dias, para a estabilização da coluna.
Segundo o boletim médico, nos próximos dias, o jornalista José Honório deverá ser submetido a uma avaliação complementar por tomografia computadorizada (TAC), para melhor observação e segurança.

Entenda o caso

Como forma de evitar a venda no passeio, há mais de dois meses que um grupo de vendedeiras de frutas, legumes e hortaliças terão passado, após uma suposta orientação da própria polícia, a guardar seus produtos no interior do prédio, onde José Honório foi brutalmente espancado e detido ilegalmente.

Paradoxalmente, no dia 16 de Novembro, os agentes, sem qualquer orientação, e num ato de abuso de poder e autoridade invadem o prédio, para lograr o objectivo de levar produtos mantidos longe dos olhares dos clientes.

Como se não bastasse, sem dó nem piedade, e num sentimento de total desprezo ao sofrimento dessas mulheres, ignorando as lágrimas que escorriam do rosto destas, que imploravam de joelhos, os agentes com as mãos agarradas às bacias até ameaçavam as pobres coitadas.

Foi então que José Honório, com comiseração e, no dever de cidadania, tentou apelar aos agentes para o respeito pelos direitos humanos, o que desencadeou a agressão física que deixou o jornalista com trauma.

De 36 anos de idade, José Honório é jornalista da ANGOP desde 2004. Já foi Sub-delegado Municipal da ANGOP no Lobito, de 2018 a 2020.

Como enviado especial, já efectuou várias coberturas no exterior do País, nomeadamente na Namíbia (2009), Sudão (2011), Malawi (2013) e na República Popular da China (2018).

Em Fevereiro deste ano, venceu o Prémio Provincial de Jornalismo de Benguela, na categoria de Imprensa, com uma reportagem escrita sobre o impacto do PRODESI na vida dos agricultores e no sustento das mulheres vendedeiras de frutas.

Devido aos danos físicos e morais, nomeadamente a fé pública, a imagem, a honra e bom nome, e dignidade, o jornalista vai hoje, 23 de Novembro, através do seu advogado, Dr. Paulino Chipetula, apresentar às instâncias judiciais, entre as quais a Procuradoria Militar queixa-crime contra os nove agentes envolvidos, por agressão física e tentativa de homicídio por asfixia.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *