E O MINSA NADA DIZ

Negligência médica transforma maternidade Augusto Ngangula em “matadouro” de crianças

Com o perverso patrocínio e  silêncio cúmplice do Ministério da Saúde, o Hospital Geral Especializado  “Augusto Ngangula” virou, de algum tempo a esta parte, um “matadouro”. Vítimas:  Parturientes e recém-nascidos. Tal deve-se, de acordo com denúncias, à incompetência, negligência, laxismo e, sobretudo, a inobservância do “Juramento de Hipócrates” por parte do corpo clínico daquela unidade materno-infantil da capital angolana. Desta vez a vítima foi o neto da jornalista Silvia Milonga que, destroçada pela dor da sua perda, conta, na primeira pessoa, o seu infortúnio. O relato de Silvia Milonga doi que nem pedra.

A denúncia da jornalista trouxe à baila uma negra e dura realidade, até então escondida por tudo e por todos, incluindo as autoridades governamentais: A falta de responsabilização pelo cortejo de mortes que têm tido lugar na “Augusto Ngangula”.

Milonga e os seus familiares demanda responsabilidades à direcção da maternidade “Augusto Ngangula” e ao seu corpo clínico. O jornal “O Kwanza” associa-se à dor da família e tudo fará para deslindar as razões que, de facto, transformaram a sobredita instituição num “matadouro” oficial de mulheres e crianças que sequer chegam a ver a luz do dia. À vossa atenção à denúncia, na primeira pessoa, de Silvia Milonga:

“Passaram-se 3 dias desde que soube da partida do meu primeiro neto, um anjinho que, não foi a tempo de fazer parte do mundo dos vivos.
Desde o início da gravidez, a mãe teve subidas de tensão arterial e algumas pessoas foram-me dizendo que não ela devia arriscar ter o bebé em Angola, porque se tratava de uma gravidez de risco e, porque a TA na gravidez é um risco grave para a vida de mãe e filho.
Como nos foi informado o bebé não sobreviveu, não resistiu…e terá falecido durante o parto. Do que sei, é que a médica que seguia a minha nora, só a internou ao 8º mês, dizia estar tudo bem e entretanto deu-lhe medicação para tomar de 8 em 8 horas de forma a baixar a tensão.
A médica resolveu finalmente que ela deveria ficar internada, quando, na última consulta, ao 8º mês, percebeu que ela estava a perder líquido amniótico.
O que estamos a tratar de fazer agora é obter um relatório médico da Direcção Clínica do Hospital Augusto Ngangula, porque queremos analisar ao máximo os motivos que levaram a que a criança não tenha vingado.
Queremos fazê-lo porque devemos isso ao bebé, a nós próprios e a todas as mulheres e seus filhos que morrem e morrerão em Angola à propósito de uma gravidez ou de um parto, porque o índice de mortalidade em circunstâncias dessas, em países minimamente desenvolvidos e com condições razoáveis de saúde é baixo ou quase nulo.
Dizem que o tempo tudo, cura mas, pelo que tenho sentido acredito que a dor desta perda estará para sempre connosco.
É mais difícil conformarmos-nos se acreditarmos que poderia ter sido diferente, se acreditarmos que não devíamos mesmo ter confiado nos médicos em quem confiamos, ou nos hospitais a que recorremos.
Por isso faremos o esforço de analisar exaustivamente o que pode ter acontecido, junto de especialistas e com base no que deve constar no relatório médico da mãe, para pudermos ficar em paz connosco e encerrar esse capítulo triste das nossas vidas.
Se chegarmos a conclusão que tudo se ficou a dever à erros médicos, faremos uma denúncia pública e, se for o caso, havemos de processar os envolvidos e, tudo faremos para que outras jovens mães de primeira viagem e não só, para que todas mulheres em Angola deixem de ser apanhadas desprevenidas e deixem de aceitar que lhes digam simplesmente: o seu bebé morreu, sem explicações detalhadas e sem que se apurem responsabilidades, inclusive sobre os danos psicológicos causados as vítimas.
Tudo faremos para que a banalização da morte de mulheres grávidas e suas crianças passe a ser uma preocupação muito séria para os médicos e profissionais de saúde, que as acompanham e, para a instituições hospitalares que as acolhem.
É mais uma batalha que nos espera e que faremos pela preservação de princípios básicos em defesa da vida humana e contra a desumanização das sociedades que, mais cedo ou mais tarde, poderá afectar a todos sem excepções.”

 

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