MANUEL DIAS DOS SANTOS*

A diáspora angolana e (todas) as suas nuances

Sem crer pretender ser exaustivo numa perspectiva histórica, a diáspora angolana está dispersa pelos diversos continentes com destaque para África e, incidência na RDC, Congo, Namíbia e Zâmbia, bem como na Europa. Embora também esteja presenta na América, Ásia e Oceânia, com variações em termos numéricos diferenciados. Sendo uma abordagem inicial importa lembrar, que ela tem características diferenciadas fruto dos diversos períodos em que se instalou nos países de acolhimento.

Outro aspecto a ter sempre em conta, e que parece transversal, é a relação com as instituições. Marcada pela desconfiança por parte das mesmas e, um abandono no que diz respeito à intervenção e relação com a defesa dos Direitos, Garantias e Liberdades que possuem constitucionalmente. Sem falar da ausência de intervenção junto das autoridades dos países onde residem quando as circunstâncias exigem. Embora não seja contabilizada de forma directa a sua participação na economia nacional, por falta de mecanismos de acompanhamento estatístico e qualitativo, essa ocorre por via das relações familiares e parentesco.

Outro enfoque central tem a ver com uma ausência de políticas institucionais de acompanhamento que permitam um censo oficial junto das representações diplomáticas e consulares. Centradas no acesso aos serviços administrativos de acesso aos documentos de identificação de forma descentralizada, a isenção de emolumentos consulares. Alteração da conduta dos servidores públicos colocados nas missões, para que percebam definitivamente que a rm poderes azão da sua existência consubstancia-se em prestar um serviço publico de qualidade.

Associado à necessidade de despartidarização da conduta dos mesmos na relação com a diversidade de opinião, produzida pela diáspora cuja tendência é particular e marcadamente critica à acção governativa, porque tem como elemento de referência a forma como são geridas as sociedades em que vivem. Dai ter afirmado em Novembro do ano passado que “(…)A diáspora tem que ser uma voz permanentemente critica.” (JornaleAgora). Tendo em conta que é uma voz não condicionada, tem um quadro social, político, cultural e económico no espaço em que está presente completamente diferenciado dos residentes no País.

Embora não esteja isenta de formas de pressão, ostracização, perseguição, marginalização que historicamente é exercida pelos órgãos dos Serviços de Informação e Segurança do Estado (SINSE). A diáspora também foi vítima do conflito civil que grassou no País e criou um binarismo na definição do ser angolano. Quem tivesse opinião própria rapidamente recebia um epiteto: agente do imperialismo, fantoche, reacionário, contra-revolucionário ou o mais temível de todos: Membro da UNITA. E de uma exclusão anti-constitucional de participação na vida política que raia a dimensão criminosa e sabotadora do princípio da igualdade nela consagrado, como se a sua participação fosse um factor de instabilidade ou não merecesse ser tida em conta para os destinos presentes e futuros do País.

A sua visão critica não visa, de forma alguma, o derrube ou à destruição do Estado ou a colocação do poder na rua, mas objectiva fundamentalmente lembrar aos gestores da administração que o poder é transitório, passageiro e limitado pela vontade dos cidadãos no exercício do Direito de escolhê-los e que enquanto lá estão  é-lhes atribuída uma responsabilidade de servir e não de se outorgarem poderes de donos, de autoridades que dão ordens e não devem obediência a absolutamente ou fazerem somente o que querem, em vez do que é necessário para o País e bem-estar dos cidadãos.

A diáspora tem uma plêiade de experiências, competências e sentido de cidadania que pode e tem todo o interesse em colocar ao serviço do País. Não porque se sinta moralmente superior ou que com a sua capacidade técnica firmada aos diversos níveis, possua a chave mágica para a solução das diversas lacunas, insuficiências ou “desconseguimentos” que o País enfrenta. Mas obviamente tem plena noção que a obra chamada Angola, depende de todos os seus intervenientes e que há lugares, papéis e posições para todos sem a necessidade de receios de espaço ou protagonismo de quem ao longo destes anos todos tem suportado no País as mais diversas adversidades.

Lembrar que seremos poucos e precisaremos de tantos outros vindos de outras partes do mundo em que a nossa diáspora está presente e estabeleceu todo um conjunto de relações, que vão das profissionais às afectivas…. Tal como quaisquer outros angolanos a sua diáspora visa um único objectivo: garantir o porvir com dignidade e equidade. Até já!

*Sociólogo/Historiador, Membro Fundador da Plataforma de Reflexão Angola – Associação Cívica ANGOLREFLEX. Especial para o www.jornalokwanza.com

 

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