Entrevistas

“O MPLA já perdeu o voto popular de Luanda (…) e se as eleições fossem justas, estaria em risco de perder”

A alta do petróleo oferece uma almofada de segurança ao MPLA para enfrentar as eleições. João Lourenço conta com os recursos de um Estado securitário, mas uma situação dramática de desigualdade e pobreza ameaça o regime, afirma a investigadora Paula Cristina Roque, que nasceu em Joanesburgo e, em 2017, doutorou-se em Oxford, com uma tese sobre os estados paralelos rebeldes da UNITA e do Movimento de Libertação do Sul do Sudão.

O País clama por desenvolvimento (…) já tenho programa de Governo”

António Venâncio, engenheiro civil de formação e também conhecido Kanzala Filho, enquanto cronista, militante do MPLA há precisamente 48 anos, é a figura que não haverá como não destacá-la na História do seu partido, e quiçá do País, por ser o homem que se perfilha na primeira linha para sacudir a letargia, assumindo-se como candidato à presidência do MPLA, no próximo congresso, aprazado para Dezembro do presente ano. Homem de fala fácil, despreocupado, de sua verdade, avança, em poucas linhas, as suas intenções para medir forças com o actual presidente. Siga-mo-lo nesta entrevista exclusiva a “O Kwanza”?

“Fomos formatados para sermos pedintes e, na minha condição de cego, piora um pouco”

Salas Neto (jornalista de “primeira água” e de créditos bem firmados em Angola e arredores, polemista irrequieto e cronista de mão cheia) concedeu, recentemente, uma entrevista ao Jornal Metropolitano de Luanda. O Jornalismo, o seu percurso, a discriminação de que sempre foi alvo por ser invisual e a sua actual condição social e económica dominaram a entrevista que se segue. Leia o que diz o (nosso) mestre Salas.

“O MPLA está em Guerra Civil e João Lourenço precisa de cortar algumas cabeças”

Corrupção e a presente situação política e social do País pontificam nesta entrevista que um dos mais aclamados escritores da Lusofonia, o angolano José Eduardo Agualusa, concedeu recentemente, em Lisboa, ao jornalista João de Almeida, ao serviço da rádio MFM. Pela sua importância e a pedido do seus leitores, “O Kwanza” retoma, com a devida vénia, a referida entrevista, que vale a pena conferir.

“Angola da prosperidade nunca veio pela inépcia de um Estado cleptocrata”

É brasileiro, mas está cultural e afectivamente ligado a Angola e a(s) sua(s) história(s). Tomás Del Melícias dedica parte da sua vida académica a investigar sobre a vida da UNITA e do seu fundador. O manto “misterioso” que envolve a (pouca) historiografia sobre o segundo maior partido angolano e Jonas Savimbi despertou o seu interesse. Del Melícias fala, em exclusivo a este jornal, dos líderes dos três movimentos que se bateram pela independência de Angola. Fá-lo com a autoridade de quem teve um avô que, com esforço e suor, contribuiu para o desenvolvimento económico da então “Província Ultramarina” de Portugal e, acima de tudo, com a legitimidade académica que são as suas principais credenciais quando o tema de prosa é a fundação do Galo Negro e a sua História que se confunde com a do seu principal animador
JÓ SOARES

“João Lourenço perdeu o respeito de muitos angolanos atentos à situação do País”

Da sua passagem pelas FAPLA, só restam lembranças. Da sua efêmera, mas efectiva, militância no MPLA, apenas desilusão. Por isso, bateu com a porta e saiu para criar o Partido Angolano Renovador do Estado (P.A.R.E). Alega ter sido alvo de ameaças quando manifestou o interesse de abandonar o MPLA. Afirma, por sua conta e risco, que o partido no poder tem poucos homens íntegros para “Melhorar o que Está Bem e Corrigir o que Está Mal” no País. Não poupa criticas à governação de João Lourenço. P.A.R.E tudo o que estiver a fazer e, por fineza, retenha as ideias deste novo protagonista da cena política angolana, Fernando Henriques Silva Martins, de seu nome. Ei-las:

“Não sei se temos historiadores em Angola; temos (isto sim) funcionários da História”

O diretor do Centro de Estudos e Investigação Aplicada (CEICA) no Instituto Superior Politécnico Tocoísta de Luanda (Angola), Patríco Batsikama, possui licenciatura no Instituto Pedagógico Nacional (IPN), Kinshasa, República Democrática do Congo (RDC), Mestrado em História pela University of Plymouth, Reino Unido, e Doutorado em Antropologia pela Universidade Fernando Pessoa, Lisboa, Portugal. É com ele que o jornal “O Kwanza” aborda, nas linhas que se seguem, questões como: a História de Angola, as instituições afins e os pesquisadores angolanos.

“Sem Angola não há Brasil e sem Brasil não há Portugal”

José Curto possui doutorado (1996) e Mestrado (1983) em História pela University of California, Los Angeles. Foi presidente da Lusophonr Studies Association (2015-2019) e director do Harriet Tubmann Institute (2012-2014; 2018-2019). Em Paris, actuou como professor convidado na École de Hautes Etudes em Sciences Sociales (2012). Em conversa com a professora Fabiana Schleumer, Jose Curto rememora as suas investigações, fala a respeito dos arquivos angolanos e discute sobre as tendências actuais da pesquisa no campo da História de Angola.