Entrevistas

“O meu cartão de militante do MPLA foi assinado pelo Joaquim Kapango”

Dario Mendes de Melo foi a enterrar no seu berço-natal, em Benguela. Faltaram honras de Estado. O escritor, jornalista e letrista merecia. Não seria favor nenhum. Entre as suas obras, destacámos a letra do primeiro “Hino da Paz” (Meu irmão/Vem Cantar comigo/Meu irmão/Esquece o Passado/….) que serviu para enaltecer o primeiro processo eleitoral do País e apagizuar os espíritos desavindos em 1991. Em homenagem ao escritor e jornalista Dario Melo, retomamos, com a devida vénia, a presente entrevista concedida aqui há uns anos ao jornal O País.

“Estamos perante um regime vingativo e que pratica represálias de todo o tipo”

O antigo primeiro-ministro angolano Marcolino Moco diz em entrevista à DW África que será um “milagre” se o Movimento Popular de Libertação de Angola MPLA ganhar as eleições gerais de 24 de Agosto. No entender do antigo secretário-geral do MPLA, “se houver transparência eleitoral”, a oposição angolana ganhará o pleito”.  Mas, segundo Moco, o que poderá acontecer é uma “vitória fabricada” pelo partido no poder”.

“O MPLA não tem condições para ganhar as eleições, dada a saturação popular e os erros de governação”

Disseca a situação de Angola como poucos. Quando fala, fá-lo com conhecimento de causa e do alto da sua reconhecida e competente cátedra. Não se faz rogada quando o tema da prosa é a situação política, social e económica de Angola. Por isso, convidamo-la para uma entrevista exclusiva, na qual Paula Roque alerta – entre outras questões – que Angola está a viver um momento perigoso.

“A vida política angolana precisa de uma certa elegância”

O historiador Jean-Michel Mabeko-Tali afirmou, em entrevista concedida recentemente à Angop, que as novas querelas políticas que têm caracterizado o momento nacional, há algum tempo, dão um quadro preocupante do campo político angolano, e uma impressão de que as mais de quatro décadas de independência não trouxeram a maturidade suficiente para que se ultrapassasse as oposições básicas que, outrora, dividiram o nacionalismo angolano, face ao regime colonial.

“Quem manda em Angola é o Sistema ‘Ordens Superiores’ e não propriamente o MPLA”

Em declarações exclusivas feitas recentemente à DW, Marcolino Moco endurece o discurso e diz sem eufemismos nem tergiversações que a situação do País está insuportável. Atira-se contra o Presidente João Lourenço que encerrar todas as empresas que funcionavam por estarem ligadas ao seu predecessor José Eduardo dos Santos e à família. Moco questiona se tal medida é política de Estado e critica-a por ter criado desemprego à escala nacional.