VISÃO

“Continente precisa enfrentar o desafio de atender às necessidades alimentares imediatas apoiado por   programas que constroem resiliência de longo prazo”, defende Josefa Sacko

A Comissária da União Africana,  Josefa Correia Sacko ,  defendeu nesta quarta-feira,  em Adis Abeba( Etiópia) que o continente precisa enfrentar o desafio de atender às necessidades alimentares imediatas de  África apoiado por   programas que constroem resiliência de longo prazo .

A diplomata fez estas considerações  quando interveio  na qualidade de moderadora  na  reunião virtual dos Ministros Africanos da Agricultura e  das Finanças, Planeamento e Desenvolvimento Económico,  sobre a Plataforma Africana de Intercâmbio Comercial (ATEX) em resposta à crise alimentar em

África .

De acordo com a Comissária da UA mesmo antes da guerra na Ucrânia, o continente  enfrentou uma tempestade severa  com o isolamento das cadeias de suprimentos globais durante o COVID-19, parando a recuperação econômica que perseguia , levando a  uma crise da dívida com 25 países africanos em situação de sobreendividamento ou em alto risco de inadimplência.

“África é um grande importador de alimentos, e a guerra na Ucrânia ameaça cortar o abastecimento de grande parte do continente. Milhões estão agora em perigo de serem empurrados para a pobreza e desnutrição, e a estabilidade e a segurança podem estar em risco se a insegurança alimentar persistir”, alertou a embaixadora .

Com consequência  da crise o continete está hoje a enfrentar  uma dupla crise de alimentos e energia, resultante do conflito ( Russia-Urcânia)  e suas interrupções relacionadas nas cadeias globais de abastecimento de commodities essenciais para a África (Trigo, Milho, Petróleo, Açúcar, Oleaginosas e Fertilizantes, entre outros.

Fez saber que a   decisão da Federação Russia de  interromper as exportações de fertilizantes está a criar também um problema significativo que aumentou  ainda mais os preços dos fertilizantes, que já eram altos antes da guerra,  e isso,  vulnerabilizou a acessibilidade para os agricultores, o que afecta, claramente , a próxima estação de plantio.

Para ela , é preciso assegurar e priorizar a transformação estrutural que seja verde, inclusiva e resiliente,  para garantir que a África esteja melhor preparada para a próxima crise e aproveitar as  oportunidades apresentadas pelo acordo da área de livre comércio continental africana, para aumentar a produção e se beneficiar dos mercados regionais expandidos.

Disse ainda   durante o evento organizado conjuntamente  pela CUA,    Comissão Económica para África das Nações Unidas (ECA) e pelo Banco Africano de Exportação-Importação (AFREXIMBANK)que a  União Africana está confiante de que os países africanos podem superar a crise trabalhando juntos para combater as causas estruturais dessas crises.

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