HAILE SELASSIE*

Polícia canalha ou cães raivosos?

Agentes da Polícia Nacional, em Benguela, agrediram o jornalista José Honório. Quase o mataram. Impõe-se dizer que qualquer órgão de manutenção da ordem ou da soberania nacional é um instrumento do Estado que, uma vez acionado, desempenha o seu papel: O de restabelecer a Lei e Ordem; ou seja, enquanto instrumento, existe todo um conjunto de normas e diretrizes a serem observadas que lhe darão respaldo não só jurídico, como o raio de ação ou os limites que irão balizar a sua actuação.

Logo, quando a Polícia Nacional envereda pelo caminho da violência, aliás, uma prática comum, revela que tipo de limites estão dispostos a cruzar para impor à vontade daquele que falhou no processo do diálogo (líderes), incapaz de convencer a parte contrária no processo através do diálogo permanente, os incompetentes, como cães raivosos, destilam todo tipo de violência de forma covarde, inclusive, a um jornalista (José Honório, ao serviço da Angop) que estava a fazer o seu trabalho, registrar para informar.

Ora, a tentativa de cercear ou intimidar o trabalho jornalístico tem um único objetivo: O de amordaçar a Imprensa! Apenas os tiranos usam esse expediente para impedir a livre circulação da Informação. Num País sério, o alto comando deveria posicionar-se, processos administrativos, investigações e inquéritos deveriam ser abertos para apurar e punir com rigor os agentes envolvidos, com o risco de demissão sumária do comandante ou, por conta própria, colocaria o cargo à disposição.

Mas, isto é Angola, certamente irá justificar o lamentável episódio como sendo o cumprimento da lei ao rigor, tudo para agradar ao chefe atribuído aquela pitada de “patriotismo idiota”. Como dizia Samuel Johnson, “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. 

*Investigador acadêmico. Especial para www.jornalokwanza.com

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