PAULO VIANA

Povo, o “brinquedo” do MPLA

O amor a Cristo nos impede que nos conformemos com o mal, que nos calemos diante do jugo que o Governo angolano impõe ao povo. O amor a Cristo nos impulsiona a procurar meios de uma sociedade melhor e de dirigentes mais dignos, porque esses que governam há mais de 46 anos, já não servem para governação. Temos de ajudá-los a repousarem.  O amor a Cristo e a fidelidade às nossas promessas baptismais, obrigam-nos a denunciar o mal. Temos de defender a verdade, mesmo que o preço a pagar for a nossa cabeça. Matar um corpo não é tão grave quanto matar a alma: “Temei antes aquele que pode precipitar a alma e o corpo no inferno” (Mt 10,28).

Por esta razão, temos a dizer o seguinte:

A pré-campanha dos partidos políticos mostrou que estamos cada vez mais distantes de um Estado Democrático de Direito. Na verdade, estamos diante de uma anarquia Política. Estamos diante uma ditadura com vestes de democracia.

Vejamos:

Regista-se agora, na fase da pré-campanha, a descida dos preços da cesta básica e ainda poderá baixar mais. O povo cego aplaude efusivamente o Executivo por isso, pensando que eles estão a fazer um favor. Meu Deus, até quando essa cegueira? É obrigação daquele que governa garantir o bem-estar dos seus cidadãos. O nosso Governo não ama o povo. Quem não ama não serve para governar.  Os tipos ficam com tudo, dão-nos um pouquinho de arroz e os aplaudimos, agradecemos por essa humilhação. Sim, o MPLA humilha o povo. É sempre assim na fase das eleições, o MPLA abre, por assim dizer, as torneiras ao povo: concursos públicos, energia e a descida dos preços da cesta básica. Portanto, o MPLA descobriu o ponto fraco dos angolanos: o imediatismo! Por isso, na fase das eleições eles passam uma ideia de que tudo está bom, tudo mudou. A TPA e a TV-ZIMBO ajudam a proliferar esta mentira. Assim, o povo cego, por causa da descida do preço do saco de arroz, hipoteca o futuro, ou seja, prefere viver 5 meses de alegria, para mais tarde viver 5 anos de sofrimento e miséria. Olhemos para os médicos, os mesmos que estavam em greve, fazendo com que muitos pessoas acorressem às clínicas, recentemente saíram em marcha para aplaudirem o Presidente (da República). Vede bem, o suborno aqui é muito forte. A corrupção é uma “doença” contagiosa!

Ainda nesta senda, há quinze dias, vimos algumas igrejas que participaram em massa no acto político do MPLA. Mas, é mesmo este o papel das igrejas? “Os escribas e os fariseus sentaram-se na cadeira de Moisés” (Mt 23, 2).

A pré-campanha veio relevar a verdadeira identidade do MPLA: A CORRUPÇÃO E A MENTIRA! Corrompem os médicos, os sobas, as igrejas, os jovens a tomarem parte do acto político. Nesta fase da campanha eleitoral, até a TPA mostra que está ao serviço do MPLA. É triste, mas é a realidade. Por outro lado, o MPLA só olha para o povo na fase das eleições. Isso é uma filosofia utilitarista. A pessoa só é útil se serve para alguma coisa. Deste modo, como precisam do nosso voto para se manterem no poder, vão baixando os preços da cesta básica. Ora bem, o que eles fazem agora na fase da pré-campanha e na campanha eleitoral, podem muito bem fazê-lo durante o tempo ordinário de governação. Portanto, vamos continuar assim? Vamos continuar a ser brinquedos do MPLA?

Qual é o remédio para curar essa enfermidade isso?

  1. Não votar em corruptos. Devemos nos despir do manto do medo e da cobardia. Temos de ter a capacidade de indignar-se, de denunciar, de cobrar… temos de ter a coragem de dizer que não é este Governo que queremos. Numa linguagem simples e objetiva: NÃO QUEREMOS O MPLA! O MPLA não serve para governar este País.
  2. Votar em corruptos é contribuir para a destruição do País. É dizer não ao desenvolvimento social e económico… votar em corruptos para governarem o País, é dizer sim à fome e à miséria.
  3. A fome em Angola não é relativa. A fome que se regista em Angola é um crime contra os direitos fundamentais do homem. Daí que é urgente a alternância política.
  4. Temos de ter a convicção de que o voto pode ser expressão e instrumento do desejo de mudança. É verdade que quem governa pode optar pela fraude eleitoral, mas não nos esqueçamos que a VOX POPULI, VOX DEI / A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS. Mas, o povo não deve aceitar ser corrompido por um saco de arroz. A descida do preço do arroz e do óleo não deve nos fazer esquecer o sofrimento e miséria que se regista no País.
  5. Temos de primar pela verdade, Justiça, retidão, amor, solidário e paz. Não podemos nos sentir e nem admitir que nos tratem como estrangeiros em nossa própria Pátria.

5 comentários em “Povo, o “brinquedo” do MPLA”

  1. Com certeza, tudo depende deles!! Se na fase da Campanha conseguem baixar a sexta básica, conseguem fazer de tudo para que a água e a Energia não falhe, algumas obras que andam paradas já a muito tempo, estão a ser tocadas para mostrarem o seu interesse com o povo e Angola, porquê não fazem isso no percurso da sua governação??!!! Têm de facto o povo como brinquedo. E o tal povo, por falta de conhecimentos e mergulhado na Ignorância, prefer viver bem os 5 meses e os 5 Anos de Sofrimentos intenso!!! Meu Deus!!! Sinto muito por essa realidade em Angola, de um grande investimento no suborno, corrupção e Roubo!!! Bem haja!!!

  2. Explendida é exposição que o autor do texto coloca advertidamente à nós cidadãos angolanos. Surpreendente, sério e triste e “comediante” são as características manifestantes do MPLA ao seu “brinquedo” o povo. Encerro dizer “os não violentos possuem a força da verdade” em Mahatma Gandhi.

    Venha mais reflexão. Forte abraço kota.

  3. São factos reais, indiscutíveis e indismentíveis. Meu maior receio hoje é que as críticas funcionem como um veículo de propaganda e publicidade a favor do mpla e, a ser será gratuita.
    A este respeito (apelo a mudança do estado de coisas) sigo La Boetie (discurso sobre a servidão voluntária), que sabiamente ensina a não falar de quem se crítica porque entende que seria como meter lenha no fogo. Por isso, faço um caminho de bastidor e não de palco, mas respeito que o faz.

    Boa continuação nesta jornada íngreme.

  4. Leonardo Ukuassapi Chipilica

    Dito certo, o MPLA faz do povo seu brinquedo. Mas acredito que ele não precisa do voto do povo para ganhar as eleições. Todo o processo eleitoral, a constituição da CNE, bem como os tribunais, é fraudulento.
    Neste momento, com as suas propagandas o MPLA só está a tentar transparecer que ganhará as eleições porque o povo o via votar, pelo lindo trabalho que está a fazer, mas ao fim e ao cabo, não precisa do voto do povo.

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