JÓ SOARES

Je suis José Honório!

Foi com um ar grave e sério (a raiar a uma certa arrogância boçal) que o (ir)responsável pelo departamento ministerial que tutela a Segurança e Ordem Públicas, em Angola, afirmou, aqui há uns tempos, que a Polícia Nacional não está para dar “chocolates” e “rebuçados”.
Ora, mesmo supondo que não há “exegetas” entre eles, a verdade é que os efectivos da Polícia Nacional descodificaram a metáfora. E, de lá para cá, têm procurado materializar a sobredita orientação indirecta, decorrente da referida interpretação.
Prova disso foi a agressão de que foi alvo o jornalista José Honório nesta quarta-feira na cidade angolana de Benguela.  O profissional foi selvática e cobardemente seviciado por agentes da Polícia Nacional. Foi por uma “unha negra” que os bárbaros ao serviço da Polícia Nacional não o transformaram num “George Floyd” à angolana.
José Honório foi sovado, humilhado e escalavrado sem dó nem piedade por agentes da Polícia Nacional. Fizeram-no por terem a certeza da impunidade. Fizeram-no por saberem que o comandante local da Polícia Nacional manter-se-á de “pedra e cal”, quando noutra latitudes – onde há seriedade e serietude! – já teria, de motu proprium, pegado na sua trouxa e zarpado, depois de, formalmente, colocar o seu lugar à disposição ante o sucedido. Mas há a “certeza matemática” de que nada acontecerá.
Todavia, o jornalista não se calou; pelo contrário, mostrou a sua força e raça denunciando a agressão de que foi alvo.
Em reação, o Comando Provincial de Benguela da Polícia Nacional insulta os jornalistas e a Opinião Pública com um arrazoado de espalhafatosas palavras a que dá o pomposo nome de “comunicado”. No dito, omite o nome do jornalista e fala de uma “suposta agressão” “supostamente praticada” por agentes da corporação.
Por falar em suposição, permitam-me dizer que era “suposto” o Comando Provincial de Benguela da Polícia Nacional ter a humildade de se retratar e ter mais respeito por todos nós, enquanto cidadãos-contribuintes e eleitores. Mas não o faz por receber orientações políticas de que o povo deve ser tratado como…gado.
Uma preocupação trespassa o meu cérebro: O facto de os jornalistas em Benguela e o Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA), a partir de Luanda, terem manifestado a sua solidariedade.
A Angop –  órgão para o qual trabalha José Honório – sequer uma linha de repúdio ou de solidariedade redigiu. Deixou o seu profissional entregue à sua sorte. Isso, confesso, deixa-me do avesso.
Hoje foi José Honório. Amanhã poderá ser qualquer um de nós. Ponham-se em guarda, camaradas! Por isso, expresso a minha solidariedade ao visado gritando a plenos pulmões: Je suis (Eu sou) José Honório!

 

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