HAILÉ SELASSIE

Irmão, bem-vindo ao País real

No artigo aqui ao lado, o jornalista Jorge Eurico fala de Augusto Tomás, deputado do MPLA, que se encontra preso no Hospital Prisão São Paulo, em Luanda, como se ele fosse um coitado ou uma vítima.

Penso que ao invés de o apresentar na condição de coitado ou vítima, talvez devesse apresenta-lo como uma peça que, após exaurida a sua utilidade, foi jogada ao ostracismo; aliás, quem já fez parte do Sistema sabe de antemão que o procedimento padrão é esse, principalmente quando política ou administrativamente se opõe ao juramento feito enquanto esteve nas fileiras.

“O homem perdoa a mulher, mas não perdoa quem o contou traição “, ou seja, a traição, no seio do MPLA é imperdoável. Perdoa-se o inimigo, mas não quem um dia já foi amigo. A situação pela qual Augusto Tomás está a passar é uma consequência e algo normal, talvez ele mesmo tenha impingido tal condição ou tenha sido conivente com algo semelhante no passado.

A prisão de Augusto Tomás é a demonstração concreta da face do Regime sem piedade, sem amor, sem compaixão para ninguém, inclusive, para todos aqueles quem um dia fizeram parte da moldura partidária do MPLA.

Repare-se o seguinte: Se não existe a capacidade ou a possibilidade de perdoar alguém que um dia foi amigo, companheiro e servidor, que tipo de sensibilidade podemos esperar dessa gente do MPLA? Nenhuma!

Pelo contrário, desde que se faça parte do grupo (MPLA) e se tenha uma função a cumprir dentro da engrenagem, é-se considerado gente. Doutro modo, sequer merece dividir a mesma partícula de oxigénio, até porque, tal acto, é uma dádiva que nos é atribuída imerecidamente pelo partido que governa Angola.

Augusto Tomás está a experimentar as agonias pelas quais o angolano do País real vive quotidianamente. Seja bem-vindo, irmão Augusto Tomás, ao País real.

 

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