MATIAS ADRIANO*

Doi como doi, perder os nossos ídolos

Nestes dias, da febre eleitoralista, não voltei a postar algo no Facebook. Limito-me a acompanhar o que os outros vão postando, divertindo-me, com estridentes risadas, com as promessas irrrealisáveis de certos candidatos.

Jurei comigo mesmo que só voltaria a postar a partir de dia 23 (Dia de reflexão). Mas desonrei o compromisso, porque está-me difícil manter o silêncio perante a morte de um dos homens que influenciou a minha entrada para o Jornalismo.

Comecei a ler os seus escritos nos primórdios dos anos 80 do Século passado, antes no Suplemento Desportivo, do Jornal de Angola, e depois no Jornal Desportivo Militar-JDM, onde foi Chefe de Redacção.

Ler Gustavo Costa não é só um regalo, é também um aprendizado. Deixei de comprar o Novo Jornal a partir da altura em que dei falta da sua coluna semanal, que era o íman que me traia àquela publicação.

Muitas vezes ocorreu-me perguntar o que com ele se estaria a passar, até à brutal notícia que me deixou petrificado e aos frangalhos. Gustavo Costa, como jornalista, marcou com iniludível competência uma época. O Jornalismo angolano perde um intérprete, que tratava o verbo com elegância, porque “navegava” na classe com a mesma destreza de um pargo na água. Lembrar-me-ei de ti, sempre que na minha tela imaginária passar o título “Duas chinguitadas de Chinguito”, que brotou da sua veia criativa, naqueles bons anos do nosso Girabola.

Sem mais palavras, e com o coração quebrado, o meu muito obrigado pelos ensinamentos. Dê um caloroso abraço aos outros que já nos deixaram, especialmente ao seu Sub-chefe de Redacção, no JDM, Alexandre Gourgel, de sua graça. Doi como doi, perder os nossos ídolos…

 

 

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