MATIAS ADRIANO*

Day after” de incertezas

A incerteza povoa o universo das mentes. Cada vez mais o cerco aperta. Todos queixam-se de instabilidade financeira. As grandes indústrias registam quedas assinaláveis na produção. Clubes de renome internacional passaram a dominar o incômodo exercício do “aperto de cinto”, porque o momento que se vive terá, de algum modo, arrasado as suas economias. É que as despesas superam, em muitos casos, os lucros.

Que quadro desportivo teremos em Angola após a peste da Covid-19, que coloca hoje o mundo de joelho e deixa as economias dos países em colapso? Para lugares onde a actividade desportiva é lucrativa haverá sempre uma saída para um recomeço que pode ser difícil, mas não sofrível. Porém, em muitos outros, o “day after” não se augura risonho.

Vivemos nos últimos tempos um cenário desportivo a exigir alguma ginástica administrativa, muito aquém do que se vivia, por exemplo, há uma década. Os clubes apresentam uma súde financeira bastante débil, cujos reflexos se fazem sentir, negativamente, na qualidade competitiva que vamos tendo ao nível desta ou daqueloutra modalidade.

No Girabola, a mais alta expressão do desporto nacional, os problemas avultam, de tal sorte que quase todos intervenientes queixam-se da falta disto e daquilo. Ou andem numa incerteza permanente quanto às possibilidades de terminarem a prova, que, como sabemos, não é pouco exigente. Uns poucos se vão aguentando ao seu jeito, com gemidos aqui e ali.

Deixamos de ter uma actividade desportiva com a estabilidade do passado, lá para não dizer que os actuais gestores desportivos estão convertidos em verdadeiros heróis, talvez merecedores de estátuas. Pois, a coisa não está para menos. É recuar sete, oito anos no tempo, para perceber os efeitos do vulcão que atingiu o desporto nacional. Pergunte-se pelo Recreativo do Libolo, super-campeão no futebol e no basquetebol ou mesmo ao Kabuscorp do Palanca. O que foram e o que são.

Chegados ao estado em que chegamos faz todo sentido questionar que quadro podemos prever para o periódico que se seguirá à Covid-19. Talvez um Girabola com menos equipas. Talvez um Girabola com moldes de disputa diferentes. Só a evolução positiva ou negativa poderá determinar o futuro.

Se clubes de referência já entram nas estatísticas daqueles com os salários e outros honorários em atraso, é porque a situação inspira enormes cautelas, e anuncia um futuro nebuloso, em que só os fortes poderão resistir, submetendo-se os fracos em sonora gritaria, para evitar um fim inglório, para o qual e pelas evidências, parecem estar fadados

 

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