JÓ SOARES

Como se humilha um cabinda

Jó Soares

A ilegal e controversa prisão do deputado Augusto Tomás representa (digo eu) um dos mais significativos símbolos da repressão, opressão, tirania e revanche pessoal do presidente João Lourenço que agride, de forma vil e contundente, a condição humana, moral e cívica de qualquer pessoa de Bem: A ingratidão do MPLA à devota e incondicional contribuição de um filho do exclave de Cabinda para o Estado angolano.

Voltemos, pois, à ingratidão.  O desagradecimento do partido no poder em relação ao concurso prestado por Augusto Tomás ao País, durante anos a fio, tem, em surdina, agitado o MPLA e deixado o coração dos seus militantes desassossegado. Ninguém sabe quando chegará a sua vez. Anda tudo com medo no seio do partido rubro-negro.

Formulo votos para que a  vexatória e desumana condição a que tem sido sujeito Augusto Tomás sirva de lição para todos aqueles que têm a cabeça atada à cintura e dedicam-se, antes de tudo e mais alguma coisa,  a defender o(s)partido(s) e não o Estado.

Expresso, pois, que nunca se esqueçam todos aqueles que privilegiam a defesa do alegado bom nome do(s) partido(s) em detrimento do da família do tratamento vergonhoso de que está a ser alvo Augusto Tomás.

Apelo a que tenham presente o rebaixamento a que está a ser sujeito Augusto Tomás todos aqueles jovens que pensam que os partidos políticos devem ser, querendo ou não, o Alfa e o Omega de todos os angolanos.

Augusto Tomás gozava de imunidade parlamentar quando foi detido (detalhe: não foi em flagrante delito). É por essa razão que se diz – e com justa razão! – que as autoridades angolanas fazem tábua rasa à Lei quando bem querem e. lhes apetece.

Por isso, os demais tribunos do MPLA que ponham as barbas de molho. Por quê? Porque, afinal, a imunidade parlamentar de nada serve em Angola. Serve apenas para adornar a Constituição vigente e induzir os mais incautos e as chancelarias ocidentais acreditadas na capital angolana que, afinal, existem regras plasmadas no Estatuto jurídico político do País. Daí ao seu cumprimento e eficácia, são contas de outro rosário.

Ora, se a Augusto Tomás (antigo governador de Cabinda e titular de diversos departamentos ministeriais durante a Administração Eduardo dos Santos) é conferido esse tratamento, o que acontecerá com um deputado da oposição ou um “aprendiz de refilão”, escudado no conceito abstrato de Sociedade Civil, que tenha o contratempo de ser alvo do(s) senhor(es) “Ordens Superiores”?

Denúncias de familiares dão conta que até o tratamento básico da sua higiene pessoal é-lhe denegado. A assistência médica e medicamentosa também.  Por estes dias, Augusto Tomás anda depressivo e farrapento, visivelmente abatido, humilhado (que nem Cabinda!), barba e cabelo por fazer, relato que convoca em mim a imagem do ditador Saddam Hussein, quando, aqui há uns anos, foi encontrado num esconderijo pelas tropas americanas nos arredores da cidade de Bagdad.

Ora, a insana e injusta sevicia a que está a ser submetido Augusto Tomás – deputado pelo partido no poder em Angola – confirma a ideia peregrina de Jonas Savimbi segundo a qual “quem serve o Regime acaba sempre assim (sic!)”. Pois acaba…!

 

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