LUÍS DE CASTRO

Clima de “paz armada” no clã dos Santos

O clima de paz armada que reina actualmente no Clã dos Santos é uma demonstração clara que o núcleo fundamental da sociedade (família) anda doente.

As polémicas que gravitam no seio da família dos Santos são motivadas por disputas da “guarda” do octogenário José Eduardo dos Santos (JES), entre os “filhos primogénitos”, e a (ainda) esposa e ex-primeira Dama da República, Ana Paula dos Santos. O caso dos Santos não é isolado e demonstra claramente o quanto é preciso redimensionar as famílias angolanas.

Os fantasmas em volta do estado debilitado de JES leva alguns filhos a colocar em causa os 16 anos de lealdade de um  profissional de saúde, que nos momentos mais decisivos da História recente de Angola cuidou com zelo e dedicação de um dos estadistas mais admirados de África (pelas melhores e piores razões). Os dias e noites dedicados por este médico a JES devem ser premiados com reconhecimento e não com despeito.

Ora, uma década e meia depois reinar desconfiança sobre o homem que sempre cuidou da saúde do então PR, me parece não só um acto de injustiça, mas também um acto de ingenuidade, tendencioso de revanche, com nomes e endereços bem identificados.

Desde que retornou ao “auto-asilo”, por razões de saúde em Barcelona – Espanha, assistem-se cenas de pugilato verbais entre os “filhos de primeira e de segunda categoria”, esposa, irmã e antigos testas-de-ferro do sucessor de Agostinho Neto.

O que se diz à boca pequena, tendo em conta a idade avançada de JES, associado ao seu estado de saúde, tudo indica que a componente material fala mais alto que a espiritual, em consequência, cada uma das partes vai reivindicando a “pertença” do amor incondicional e eterno ao Arquitecto da Paz.

Na minha míope visão, parece que há um falso problema em relação à suposta intromissão do Governo angolano. Independentemente do “amor ou desamor” que existe entre o Clã dos Santos e o PR João Lourenço, a Presidência da República é o órgão competente para acompanhar o enredo em torno da saúde do ex-estadista angolano, tal como prevê o Estatuto Jurídico dos Antigos Presidentes da República de Angola, com a finalidade de garantir os direitos e obrigações aos antigos Presidentes, após a cessação de funções, como consagra a Constituição no artigo 133º.

Vale lembrar que, dentre os vários direitos plasmado no referido Estatuto, que visa dar dignidade ao Ex-titular do Poder Executivo, destacam-se assistência médica e medicamentosa, segurança, pensões, assessoria assegurada por um determinado número de funcionários públicos, entre outros.

Daí ser importante não subestimar que a imagem do ex-PR está sempre associada ao símbolo da soberania, assim como à manifestação de outros valores da identidade nacional.

Portanto, apesar do facto dos 38 anos da Administração Eduardista terem sido “coroado” por um festival de corrupção, nepotismo e impunidade, JES, na qualidade de antigo PR, goza das imunidades e de outros direitos que conferem dignidade à função presidencial, prevista na Carta Magna do País.

 

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