ANTÓNIO CHIMUCO VICTORIANO*

A origem das criptomoedas (I)

Propusemo-nos, a partir desta edição, a fazer uma rara descrição, em séries, sobre as criptomoedas, desde sua sua origem – concepção até aos dias de hoje.

Angola já tem alguns focos e clubes amantes do uso das criptomoedas através de várias plataformas das Redes Sociais e na pole-position temos a Telegram, WhatsApp, Instagram, Facebook e outras que servem de interação virtual entre pessoas que recorrem às criptomoedas como fontes de alocação de fundos e convertê-las em dinheiro fiduciário resultantes das opções de câmbio financeiro internacional de seus investimentos. As mais solicitadas são a BITCOIN, ETHEREUM, LITECOIN, RIPPLE, DOGECOIN, COINYE, etc. Elas são  centenas, mas a mais usada é a Bitcoin.

A origem das criptomoedas vem de longe e os matemáticos associados aos computadores têm tido um assinalável contributo para se tornarem num produto e hoje em dia é apetecível no mundo económico-financeiro, e em especial em mercado de capitais. Ou seja: As criptomoedas, ou moedas virtuais, são meios digitais de troca criados e usados por indivíduos ou grupos privados.

A matemática, como ofício, é a mais solicitada e nessa indústria financeira os indianos e chineses são os favoritos. Acreditamos que para os matemáticos angolanos os seus dias para brilharem estão a chegar precisando apenas que as oportunidades na tomada de decisões aconteçam. Por enquanto, não somos tidos nem achados no mercado de emprego angolano, a não ser para, invariavelmente, sermos professores e até que, com alguma dose de sorte, um dedo nos aponte para fazer parte de um banco ou serviço financeiro intermédio algures.

Portanto, sem ambiguidades ao assunto em foco, as bitcoins são as ferramentas que suportam o dinheiro virtual e motivam os seus entusiastas nas transações comerciais, incentivar poupanças dos seus rendimentos e planos de pensões. Em  termos simples, poderíamos comparar essas poupanças com uma conta à prazo num banco convencional ou tradicional, no caso as instituições financeiras intermediárias e os seus instrumentos.

O universo de utentes que recorre ou que pretende encontrar uma motivação ao recurso das bitcoins deve ter em conta que é pura ciência conotada às ciências matemáticas e computacionais. Digamos que, intrínseco ao processo, cada cópia de blockchain recém-criada vem com uma recompensa monetária em duas partes: a dos blocos, que consistem em todas as transações executadas desde que a última e nova cópia do blockchain for criada. Ou seja, um número fixo de unidades de criptomoeda recém-criadas (mineradas) e um número variável de unidades existentes coletadas de taxas de transação opcional mensurável em menos de 1% do valor da transação — pago pelos compradores. Falaremos mais da mineração adiante.

A forma como usamos as notas ou cédulas monetárias para o intercâmbio de serviços ou na aquisição de bens de consumo tem feito com que os governos ou bancos centrais fiscalizem ou controlem tanto as normas do uso das moedas de uma determinada Nação, i.é, os ganhos que advêm das taxas sancionáveis a partir das transações dentro de um circuito económico ou intercomercial.

Desde centenas de anos atrás, esses documentos em notas ou moedas metálicas substituíram  naquela altura os metais preciosos, tais como o ouro, bronze, prata e outras peças ornamentais e de origem mineira ou ainda marinha que serviam como instrumentos de troca ou intercâmbio mercantil dependendo da qualidade de cada material passível de uma avaliação por unidade de medida, tal qual é feito, ainda nos dias de hoje, com os diamantes.

Os experts na matéria sustentam a ideia da rigorosidade e controlo dos bancos centrais que fizeram com que surgisse a primeira Cadeia de Blocos ou a Blockchain (em inglês), que é a  virtualidade das criptomoedas. A sua invenção foi criada para servir como dinheiro virtual ou instrumento financeiro alternativo e evitar as excessivas regras dos bancos em controlar o comércio no geral.

É daí que hoje assistimos quase uma febre da tomada de uma posição firme das bitcoins. Ou seja, a sua dinâmica é generalizada nos dias de hoje a nível mundial. Aqui assumimos que a existência delas é como se fosse uma construção teórica muito antes do surgimento das primeiras moedas alternativas digitais que permite transações online.

Reconhecidamente, os fundamentos técnicos da criptomoeda remontam ao início da década de 1980, quando um criptógrafo americano chamado David Chaum inventou um algoritmo criptográfico cego baseado na World Wide Web (www). O tal algoritmo permitiu as trocas de informações seguras e inalteráveis entre as partes, lançando as bases para futuras transferências eletrônicas de moeda em substituição das cédulas tradicionais que são as notas que usamos em forma de pagamento.

Os primeiros proponentes da criptomoeda compartilharam o objectivo de aplicar princípios matemáticos e da ciência de computação de ponta para resolver o que eles percebiam como deficiências práticas e políticas das moedas tradicionais ou fiduciárias (fiat money).

Foi assim que surgiu a primeira criptomoeda, a Bitcoin que originou a criação da primeira base de dados Blockchain. Ela foi inventada em 2008 por Satoshi Nakamoto. Um nome japonês que mais tarde veio saber-se que é um pseudo-anônimo usado pelos criadores da criptomoeda Bitcoin. A tal moeda virtual que começou a ser usada em 2009. A sua implementação foi lançada como software de código aberto.

Concluímos que as criptomoedas foram criadas como recompensa por um processo conhecido como mineração. Os mineradores têm a função para a monitorização e manutenção dos registos nas comunidades de criptomoedas e de arbitragem indirecta do valor das moedas virtuais. Mineração é o facto de que o trabalho feito criar riqueza na forma de novas unidades de criptomoedas. Os mineradores usam métodos altamente técnicos para verificar a integridade, precisão e segurança das blockchains das moedas, uma função garantida pela computação em função de um enorme fluxo de dados. Essa operação não é diferente da busca por novos números primos, que também requer uma enorme quantidade de poder de computação e tratamento de seus dados.

A próxima parte (II) será sobre a utilidade das mesmas, as vantagens e desvantagens no uso quotidiano. O impacto dessa transformação digital e aprofundaremos sobre o risco financeiro entre as Bitcoins e os governos ou bancos centrais.

 *Licenciado em Ciências Matemáticas – UAN, Mestrado em Gestão de Risco Financeiro e Banca – Glasgow Caledonian University (GCU-United Kingdom). Especial para o www.jornalokwanza.com

8 comentários em “A origem das criptomoedas (I)”

  1. Viva excelente iniciativa colocar em andamento os conhecimentos adquiridos.parabens estarei esperando a próxima edição, forçaaaaaa

  2. I am impressed Chimuco it’s a wonderful paper you have wrote. Congratulations and keep working, you’re on the right track 👏👏👏👏

  3. Rogério Ferreira

    Um pensamento explanada com bastante sapiência e que servirá de suporte para outras abordagens sobre o tema. Está de parabéns o seu autor.

  4. Necas Quicalango Gomes

    Texto bastante esclarecedor. Já copiei e guardei-o nos meus favoritos por ser algo em que estou apostado e já venho investindo há algum tempo. Porém, bolta e meia, me é solicitado explicações por parte de amigos sobre as criptomoedas e este texto será, sem dúvidas uma grande ajuda neste quesito.
    Valeu. 1 abraço!!

  5. FRANCISCO MUGINGA

    Desde já está de parabens pela coragem de escrever sobre um tema que é bastante complexo…
    A matéria para aqueles que nunca tiveram um contacto sobre a mesma sentem -se um pouco baralhados dado ao enorme leque de vocábulos do mundo cripto.
    Faltou um pouco mais de conceitos básicos ao nível do utilizador, e vincular a criação da moeda, as suas vantagens com o sistema financeiro que entrou em colapso no tempo da crise financeira mundial.

    Esperamos sim outras matérias do colunista que por si tem bagagem suficiente para informar e promover o uso de criptomoedas como moeda alternativa para pagamentos de bens e serviços.

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