ANÁLISE

Chegou o Girabola; saudemo-lo em nome dos amantes do Desporto-Rei!

Chegou o Girabola! É já neste sábado que a bola começa a rolar pelos campos do País, com toda sua arte, toda sua magia e outros atractivos que lhe complementam. Paira no ar algum suspense da parte do público assistente, mesmo que para muitos já não tenha a pitada de qualidade de outros tempos. A verdade é que não mudou de nome. É ainda o nosso campeonato das multidões.

Matias Adriano

Para as equipas, os últimos dias foram de acerto de detalhes pontuais, quer do ponto de vista técnico, quer do ponto de vista administrativo, para que o começo não se situe fora dos marcos definidos. Começar com o pé grande, em qualquer competição é o desejo de toda equipa que se preze, sendo que o desejo da maioria consiste, naturalmente, no princípio de encarar o começo com menor índice de dificuldades no plano competitivo.

É evidente que, em regra, as equipas se esmeram para que tudo corra de feição, embora saibamos que no desporto, a glória e o fracasso andam de mão dadas. Mas tudo é relativo, existem, pois, aqueles que começam com bons resultados, para nas jornadas seguintes claudicarem, e aquelas que perdem à partida para depois acertar o passo no trilho. É o nosso campeonato de regresso aos campos.

Serão, no cômputo geral, 30 jornadas de renhida disputa entre equipas de estatutos diversificados, mas que comungam nos objectivos. Grande novidade consiste nesta edição no número de reduzido de equipas, que representam a província de Luanda, catalogado, faz tempo, como o ponto geográfico que centraliza a competição. Infelizmente os tempos são outros e, como tal, a realidade também é outra.

Luanda, que em determinadas edições se fazia representar com metade das 16 equipas concorrentes, no campeonato que agora começa entra apenas com três equipas, nomeadamente 1º de Agosto, Petro e Interclube, as únicas com uma condição financeira estável e, por esta via, longe dos tentáculos da crise, que incomodam e perturbam a todos. Talvez seja algo que dê lugar a alguma exclamação, assim como leva à certeza de que nada dura para sempre.

Neste quesito, diga-se de passagem, Benguela ficou à frente, sendo a única província que entra na competição com quatro formações. Mas ter quatro, seis, oito ou dois representantes é irrelevante. O importante é esperar que a prova arranque sem problemas, para que todos possamos sonhar com um campeonato, que se pecar pela qualidade competitiva acerte no resto.

Competitivamente falando, nota-se que as equipas estão a quebrar o velho costume de vir a público e definir as suas metas. Em regra, o que ouvimos em véspera de campeonato é as equipas prometerem isto e aquilo, com a conquista do título sempre na primeira linha das promessas. Desta vez não se faz muito coro como tem sido das vezes anteriores. Mas, perante o quadro actual, os candidatos de primeira linha já são conhecidos por todos.

Mas vamos esperar que as outras equipas, que entram para o campeonato com ambições modestas, saibam valorizá-la, imprimindo alguma qualidade nos jogos, de modo a levar os principais candidatos à percepção, de que as outras equipas, não tendo condições de disputar o título em igualdade de circunstâncias, são, na mesma, adversários no sentido autêntico da palavra. Saudemos o campeonato…

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