VIDA E OBRA

Sobre “Um Padre no Hotel”, da autoria de Luís Fernando

LUÍS FERNANDO, filho da aldeia de Tomessa, o mestre da escrita, que nos seus 60 anos nos oferece motivos para leitura. O autor de “A Saúde do Morto”, “Clandestinos no Paraíso”, “Um, dois e três anos de vida”, que em breve estarão disponíveis, quatro anos de vida, cinco anos de vida, “Andanças” e “Um Padre no Hotel”. Este último é um livro que contém nove contos, distribuídos em 67 páginas.

O primeiro conto, O FEITICEIRO QUE GOSTAVA DE FLORES, começa por destacar o fim de Matombe, o filho mais novo do velho Marques Kitadi. Matombe, o rapaz que tinha um amor compulsivo por flores, apesar de vivo, estava morto por se ter atrevido fazer uma confissão.

Matombe tinha algo em comum com a sua mãe, ambos tinham gostos alimentares fora do comum. Dona Marcolina, uma personagem surreal, só se alimentava de barro arrancado das paredes de adobe, o seu filho fazia questão de em alguns dias da semana alimentar-se de um composto desnaturado de raízes de dálias, folhas de rosas, sementes de margaridas e pétalas aromáticas de malmequeres.

Luís Fernando recorre a uma expressão própria do seu tempo de criança para dar voz à confissão que jamais podia ser feita, mas Matombe, aos 19 anos, fê-lo, como passamos a citar:
— FIZ MALANDRO NA MARGARIDA, MAS PORQUE ELA ME DEU FEITIÇO. Fim de citação.

Matombe era acusado de virar gato preto e às noites ir ao encontro de Margarida, sua mais velha de sete anos.
Quem o acusará? Como a aldeia ficou a saber da situação de Matombe? Qual foi a reacção do velho Marques Kitadi?
Qual foi o enigma dito pela Margarida no pátio da regedoria? E que destino foi reservado para Matombe e Margarida? Matombe apunhalou o soba. Qual foi o motivo?
As respostas a estas perguntas serão encontradas no conto, com uma leitura agradável em sete páginas que narram a estória do feiticeiro que gostava de flores.
Em UM TERRAÇO PARA MARTA COVAS, Luís Fernando começa por apresentar Malaquias, um vizinho que havia perdido a empatia própria dos bairros, onde vizinho é família. Malaquias não se fez presente, primeiro, no velório e depois no funeral de Marta Covas, filha de Genaro e dona Augusta.
Marta Covas regressou de Portugal depois de formada, doutora muito solicitada, mas que não resistiu ao terraço. O que de facto Marta Covas fez no terraço? O que motivou o seu acto? Quem era Malaquias e que informação prestou no dia em que resolveu entrar na casa de Genaro?

Neste conto, Luís Fernando desperta-nos para uma abordagem não habitual na nossa sociedade, um assunto difícil de dizer. Mesmo em quatro paredes, este facto quase acabou com a vida de Genaro depois que descobriu o real motivo pelo qual Marta Covas tinha subido ao terraço e não ter feito jus à fama de mulher inteligente.

O conto a seguir, O VIAJANTE, cujo protagonista saiu de casa numa madrugada chuvosa, sem destino pensado, conseguiu uma boleia, depois de muito sofrimento, e teve Malanje como destino. O conto prossegue; por isso, convidamo-los para a leitura de cada detalhe no casebre de pau a pique e tecto de capim e a atitude temerária de Laurinda Semente e para que saiba qual foi o destino do viajante.
O quarto conto, que dá título ao livro, UM PADRE NO HOTEL, descreve a figura do padre João, que viera de longe para um momento crucial. O padre, frequentador do hotel Apolo, antes de apresentar-se foi confundido com um craque de futebol, um engenheiro, um provador de vinho, um playboy e mais coisas.
Luís Fernando volta ao seu Uíge para apresentar o rapaz que se iniciava na escrita, fruto desta teve um encontro com o padre, no hotel Apolo. O conto segue até descobrir a razão do título do livro: UM PADRE NO HOTEL. Se for mesmo o que estamos a pensar, acabamos de descobrir a origem do mestre da escrita que temos hoje.

O livro continua com mais cinco contos, O FORASTEIRO, O GREGO E A MERETRIZ NIGERIANA QUE CITAVA CHURCHILL, SEGREDOS AOS SETENTA, AMOR IMPROVÁVEL OU NEM TANTO ASSIM, O CLIENTE TEM SEMPRE RAZÃO E O PRIMEIRO DIA DE FÉRIAS DO MEU PRIMO EUCLIDES.
Para não tornar fastidiosa o relato da agradável leitura que Luís Fernando nos proporciona, não faremos comentários aos últimos contos. Recomendamos a leitura do livro.

Ao Luís Fernando muito obrigado por dar a conhecer estes contos, escritos entre 2010 e 2015.

À Mayamba Editora desejamos muitos êxitos neste nobre trabalho de edição de livros fantásticos.

Votos de boa leitura!

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