ANA QUEZIA*

O (a)mar entre os dois

analu e beni se conheceram através do facebook. ele é angolano. ela, brasileira. por terem muitos amigos em comum, ele a adicionou e começou a ler seus poemas.
um dia, enviou uma mensagem, passaram a conversar com frequência e iniciaram um relacionamento à distância que já dura oito meses.
têm muitas coisas em comum, dentre elas, a tez azeviche e o amor pela literatura.
analu é manicure e escritora. beni, professor de história.
todos os dias eles fazem chamada de vídeo.
beni a ensina palavras em kimbundu. ela ama todas, mas, muxima (coração) a arrebatou. gosta da sonoridade e do significado. analu o ensina palavras em baianês. beni adorou “retada” (chateada). acha a expressão engraçada.
enquanto beni junta dinheiro para vir à bahia, analu lhe escreve poemas de amor. ele curte, comenta e compartilha em seu perfil.
estão perdidamente apaixonados. o que é o oceano atlântico diante disso?

6 comentários em “O (a)mar entre os dois”

  1. Achei a história interessante, pois na minha juventude, a partir de Luanda, troquei correspondencia com uma brasileira de Curitiba, entre 1955 e 1960. O responsável deste contacto, foi o angolano Emílio de Carvalho, que tinha ido ao Brasil estudar teologia, e forneceu aos brasileiros uma lista com nomes e endereços de jovens angolanos ligados à Igreja Metodista em Luanda, publicados na Revista Cruz de Malta, e por esta via comecei a receber CORREIO DO BRASIL.

    Sempre nos foi dada a ideia de um Brasil maravilhoso e igual para todos, até que um dia, numa das actividades culturais no prédio da Escola da Missão Evangelica em Luanda, o Jacinto Fortunato, que ainda não tinha ido para o
    Brasil estudar, cantou uma canção brasileira, de que nunca mais me esqueci:
    “Sou negro velho
    Não sei mais a minha idade
    Porque a minha mocidade
    Muito longe lá se vai

    Ainda me lembro
    Era jovem e já ……..
    Quando atendi ao chamado
    Para brigar no Paraguai

    Fiz a campanha, fui brilhando até ao fim
    Quantos que perto de mim
    Foram mortos na batalha
    Eu rive sorte escapei não sei que jeito
    Pois ganhei neste neste meu peito
    Um balaso por medalha
    Eu fui escravo, fui socado no trabalho
    Mas me veio 13 de Maio
    Me trazendo a liberdade
    Também já tive, como qualquer de vocês
    No meu peito certa vez, um amor da mocidade

    Mas hoje em dia, já não presto estou cansado,
    Sou herança do passado
    Negro velho é o que eu sou
    E não perguntem
    Minha idade no momento
    Porque do meu nascimento
    Muito longe agora eu vou.

    Se os dois apaixonados ainda não leram, aconselho que leiam dois livros de autores brasileiros: Geografia da Fome do escritor Josué de Castro, e também “Dona Flôr e os seus dois maridos” escrito por Jorge Amado.
    NTANGUA (hora)- palavra KIKONGO que significa hora. É esta palavra que deu origem à palavra TANGO.

    Espero algúm dia encontrar a Analu e o Beni, aqui na Holanda, para lhes mostrar as flores maravilhosas da Holanda.

    O meu abraço extensivo aos que partilharam a experiência de vida da Juventude, organizados no Grupo X(Delfina Murimba, Milú Rodrigues, Loide Ana de Almeida, Maria Eugénia de Almeida, Fidelino Loy de Jesus Figueiredo, Elísio Ávila de Jesus Figueiredo, Zeca Matoso, Marilina Stela de Jesus Figueiredo, Regina da Silva, Deolinda Rodrigues, Francisca Manuel Escórcio, Roberto de Almeida, Deolinda Bebiana, Arminda Ana, José Custódio Rodrigues, Rafael Pedro Fernandes, Joaquim Bráz Caetano, Irene Judith de Sousa Webba, Maria Pimenta,Lidia de Almeida, Sousa e Santos, Maria Helena Pereira Tristão, Mateus João Neto, Pedro António Filipe, Domingas Saveia, Mateus Adão Neto Esquadrão da Cruz e Estandarte de Cristo, sem esquecer os da Classe de Redentor na Maianga, onde o pastor era o mais velho Víctor de Carvalho, pai da Lourença, da Aurora e da Rebeca. Ninguém contou os kilometros que a enfermeira Alda Jeremias fazia diariamente, desde a Maianga até à Boavista a pé. Alda Jeremias prestava assistência aos angolanos pobres, no Centro Médico que tinha como colaboradora a médica portuguesa Dra Maria Julieta Gandra, presa pela PIDE em 1958, no seu Consultório Médico, na Rua de São Paulo. Pena que os MARIMBONDOS angolanos, não se tenham inspirado na postura da Dra Julieta Gandra, que tinha dois Consultorios, um na Rua que leva ao Hospital Maria Pia, e outro na Rua da Missão de São Paulo, onde atendia os pretos pobres. Sabía-se também, que a Dra Maria Julieta Gandra dava dinheiro às MÃES pobres, para a compra de leite, carne e legumes para as crianças. QUE EXEMPLO!!!

    Com votos de muito sucesso para a PAIXÃO TRANS-ATLANTICA:
    Não fazes favor nenhum
    Em gostar de alguém
    Quem inventou o amor
    Não fui, não fui eu, nem niguém

    O amor acontece na vida
    Estavas desprevenido e por acaso eu também
    E como o acaso é importante na vida
    Das nossas vidas fez um brinquedo também

    Mayembe

  2. KImuabi MAYEMBE

    Senhora Dona Ana QUÉZIA XAVIER

    Obrigado pelo seu comentário.
    Mas relendo o texto da canção, vi-me obrigado a completar uma linha do texto:

    …………………..
    E como o acaso é importante na vida, querido
    Das nossas vidas fez um brinquedo também

    Não fazes favor nenhum
    Em gostar de alguém…………

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