RAUL TATI

Natal na “fiotelandia”

Nós, os fiotes das terras do Makongo, Mangoyo e Maloango; nós, os flagelados do vento Norte; nós, os enteados de uma história madrasta; também celebramos o Natal do Deus feito HUMANIDADE para habitar entre nós.

O Natal é uma fonte espiritual onde os fiotes vão renovar as suas esperanças por uma vida melhor na cidade terrena, enquanto não chega a cidade eterna. No presépio do Deus-Menino os fiotes não colocaram nem ouro, nem prata, nem incenso: apenas a sua pobreza e o seu cativeiro imposto pela Babilônia.

Os seus cantos, as suas danças e exultação são apenas hinos de cativos em busca da terra (com)prometida. Os fiotes não dependuraram as harpas nos salgueiros nem deixaram de entoar cânticos mesmo amordaçados com saudades de Sião.

Aquele Deus-Menino, o Emmanuel, na sua aparente fragilidade carrega consigo o poder de transformar esse cemitério de ossos ressequidos em uma nova Jerusalém adornada como noiva à espera do seu esposo.

Essa mística esperança transforma as penas de hoje numa força que a seu tempo vai derrubar os poderosos dos seus tronos e vai exaltar os humildes. Para os fiotes, o Natal, mais do que memória celebrativa, é uma estrela que aponta para um futuro de redenção. É por isso que mesmo na sua condição de cativeiro e de deserdado, como Nação proscrita, ainda canta, dança e exulta com olhos fitos na aurora boreal do resgate da sua soberania e dignidade roubadas.

Enquanto houver Natal, a esperança será sempre sagrada! Assim é o Natal na FIOTELANDIA!…

 

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