EUGÉNIO CAMPOS

Mister Angola no Muro das Lamentações

No fim da excursão a Jerusalém, ao sair do Muro das Lamentações, há um pequeno fontenário com uns jarros de alumínio. Enchemo-lo com água e vamos despejando alternadamente em cada uma das mãos, três vezes. Depois, passamos as mãos molhadas na cara e sentimos um alívio do efeito solar. Concluimos: “obrigado meu Deus pela saúde e por me ter permitido vir a Israel e conhecer Jerusalém”, o lugar sagrado para os cristãos, judeus e muçulmanos.

Havia uma fila enorme de pessoas para visitar o túmulo de Jesus Cristo, já tínhamos desistido, de repente, fez-se luz, deram-nos prioridade e lá podemos entrar em contacto directo com uma fonte do Sagrado, da História e da Cultura.

Lembrei-me do jovem que tinha um letreiro, no aeroporto de Telavive, com o meu nome completo. Huber, um jovem militar, sacrificou um dia das suas férias para trabalhar no Mundial de Xadrez do IPCA como voluntário, tinha sido encarregado de tirar-me do aeroporto e colocar-me num táxi que me deixaria no hotel.

Ele estava agitado, andava de um lado para o outro, porque dois croatas não haviam entrado em contacto com ele. Pedi-lhe que se sentasse e que se acalmasse. Poderia haver um contratempo qualquer, atraso do voo, complicações na imigração, etc.

Ele disse-me que se eles não aparecessem dentro de 5 minutos, haveria de entrar em contacto com o seu supervisor para ter uma decisão.

Já mais calmo, perguntou se era a minha primeira vez em Israel. Confirmei. Recomendou-me vivamente que fosse a Jerusalém, declarando: “eu sou ateu, mas quando vou a Jerusalém, questiono-me, começo a acreditar em Deus”. Huber pensa, após o cumprimento do serviço militar, servir como voluntário numa ONG para proteger os gorilas em vias de extinção, algures entre o Congo Democrático e o Ruanda.

Na mesa do almoço, lançam-me um desafio, “Mr. Angola (não conseguem dizer o meu nome, os russo-falantes tentam Evgeny) canta aí qualquer coisa”. Instintiva e desprazerosamente, neguei dizendo, “eu não canto muito bem”. Um dos comensais disparou: “eu toco piano, faço solo…”. A pessoa que me desafiou disse: “eu sou soprano no coro da igreja”. Recordei-me da crítica que me fez, certa vez, Jomo Fortunato: “tu jogas xadrez e não tocas nenhum instrumento musical?”.

No final das contas, eu era o único na mesa que não tinha alguma preparação musical à sério, livrei-me da humilhação no “The Voice em Jerusalém”.

Tudo corria bem, até que o pessoal da Alemanha, se soltou da nossa delegação, no momento do regresso, deixando todos preocupados. Alguma parte da equipa refez o percurso para encontrá-los e nada. O que aconteceu? Ficamos a saber que as autoridades rapidamente informaram que eles se sentiram perdidos, pegaram um táxi e foram para o hotel. Menos mal. “All’s well that ends well”.

Fonte: Facebook

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