MWENE VUNONGUE

Me doeu muito!

Em 2017 eu estava a fazer uma formação com o Observatório Eleitoral Angolano em Luanda. Findo o período da formação, eu tinha de regressar ao Lubango num domingo de Agosto.

O voo da TAAG estava marcado para às 18:00 com previsão de chegada às 19:30 ou perto disso.

O voo atrasou e só partimos de Luanda às 20h e bué de minutos. Chegamos aqui no Lubango perto das 22h.
Ao chegar, as pessoas vinham lhes pegar no aeroporto e bla bla bla. Eu não tinha ninguém pra me tirar de lá pra Mukanka e só tinha mil kwanzas. Os carros estavam a cobrar 4 mil kwanzas pra me deixarem aqui na banda.

Como não foi minha culpa chegar tarde, me dei já de tchimulifudido e decidi abordar a supervisão da TAAG que se encontrava de serviço no “ALEPORTO”: Olhem, eu não sei como sair daqui. Vocês atrasaram o avião e preciso ir pra minha casa. São agora 22h e é perigoso entrar no bairro”
– Espera, vamos te levar com o transporte dos passageiros.

Assunto resolvido. Banzelei…

Por volta das 22:40 estavam a fechar o aeroporto e os funcionários a banzarem. Subi no Hiace quadradinho deles e pann… começaram a me dar a boleia…

O senhor motorista decide chegar até no ESTÁDIO TUNDAVALA apenas e me diz: Aqui chega. Não posso entrar no bairro porque os meus pneus estão carecas.

Eu fiquei sem acção. Como assim? Vocês me garantiram que me deixariam em casa.

Ah, o chefe não me disse isso – afirmou o motorista.

Porra, pensei bué. Agora vou fazer como pra ir até no kubico? Eu estava a vir de Luanda, viajei de avião… era suposto chegar em casa tipo sou muata, pessoa que tosse e cospe.

Eles me deixaram ali. Não tive alternativa senão voltar à minha técnica de tirar toda roupa e meter na mochila e começar a cantar muitas músicas em Umbundu do Justino Handanga pra os meliantes pensarem que sou maluco.

Me doeu muito!

Fonte: Facebook

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