PAULINO QUIFICA

Quando o Interesse económico entre Angola e Portugal sobrepõe-se à dignidade humana

Como instrumento de publicidade negativa em relação o poder instituído em Angola, Kissamá de Castro, o ativista luso-angolano, residente em Portugal, esteve em greve de fome por 20 dias em frente à residência oficial do presidente de Portugal, em Belém,  cidade de Lisboa. O activista denunciava as condições sociais “vulneráveis” em Angola e pedia  a intervenção do Governo de Portugal e das instituições da União Europeia para que sejam os observadores credíveis nas eleiçôes de 2022. O clamor do activista não chegou aonde era esperado chegar.

Já disse o Mestre Bonga: “Na estranja estão se marimbando se a gente baicar”. Linguagem bem conhecida em Angola, traduzida como o desinteresse dos ocidentais nas vidas dos africanos. As pesquisas académicas sugerem que a paz duradoura deve ter uma característica fundamental, o interesse dos seus próprios povos.  A conhecida a “revolução que vem de baixo”.

A questão que se coloca é se a juventude angolana terá o fôlego de Kissama de Castro para fazer frente às opressões do agressivo poder instituído? As dúvidas pairam, mas os jovens avançam enquanto o poder político legitima a sua permanência com leis arcaicas e impopulares. Aqui surge a geração de Kissama de Castro disposta a tudo ou nada para forçar a transparência no pleito eleitoral de 2022 sem a necessidade de mais derramamento de sangue ou ainda um possível genocídio.

 Todo este cenário de falta de sensibilidade das autoridades portuguesa/europeia e dos representantes angolanos em Portugal, que deviam olhar para a dignidade humana como um princípio e não um mero objeto de alcance de protagonismo como se fez com Luaty Beirão.

O Ocidente, diante deste cenário, vem mostrando mais uma vez o seu verdadeiro interesse com Angola e os angolanos.

Olhando para o  espírito de solidariedade, sensibilidade, moral e pela sua estatura política, o professor Marcelo Rebelo de Sousa devia atender com o espírito altruísta que lhe é característico.

Triste dizer que, no contexto angolano, só os mortos verão a paz.  Este artigo foi escrito para apoiar o compatriota irmão Kissamá de Castro.

 

Por Paulino

2 comentários em “Quando o Interesse económico entre Angola e Portugal sobrepõe-se à dignidade humana”

    1. De facto, se olharmos com olhos de ver as letras do Kota Barceló, percebe-se desde tenra idade que o maestro foi tão profeta quanto músico!

      A luta e a victória dos Angolanos deve vir de baixo, ou de nós mesmo, o texto faz reflexão a isto com uma certa ambiguidade, se a “resistência” clamada por esta juventude lúcida tiver lugar prático, só mesmo assim o Angolano comum poderá ditar a agenda política das próximas gerações.

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