EDITORIAL

Quo vadis MPLA?

MPLA Colóquio Internacional

É ilusória a ideia de que o clima de tensão que o País viveu no período pós- eleitoral já se dissipou. O último comunicado da mais alta estrutura do MPLA  , o Bureau Político (BP), com uma linguagem bastante musculada, é o exemplo vivo que ainda há ressentimentos agudos a correr nas veias de muitos cidadãos, alguns com muita responsabilidade que, por esse facto, deveriam enveredar por caminhos  exemplares e com uma linguagem mais cordata e menos incivilizada para não acirrar ódios susceptíveis de acordar recalcamentos adormecidos em muitas mentes.

O comunicado, uma resposta do “Partido dos Camaradas” à actividade que UNITA/FPU realizou, no pretérito dia 24 de Setembro, a que chamou de marcha pela liberdade, revela uma grande intolerância, quando assume, de forma directa, não estar interessado em diálogo algum com o principal partido da oposição do País.

Uma mensagem que revela a intenção do Executivo governar, como sempre o fez, sem dar cavaco a ninguém, mormente ao legitimo dono do poder: O povo!

Nas últimas eleições no País, a vontade do povo foi bem evidente, e a perda de algumas praças eleitorais forte pelo MPLA foi uma demonstração da sua insatisfação em relação à governação a que estava a ser sujeito.

Um sinal para os camaradas que os tempos são outros e que é preciso fazer uma leitura de todas as manifestações que os cidadãos enviam,  quer pela deposição do seu voto nas urnas ou por outros meios,  como pelas redes sociais, hoje tão difusas entre nós.

O País pertence aos cidadãos e não aos partidos políticos. E, por essa via, as grandes questões de interesse nacional devem ser debatidas com a máxima abrangência e interação de todos. Não deve haver espaço para exclusão de quem quer que seja, pois somos todos angolanos.

Ter sido declarado  vencedor das eleições não significa tomar sozinho decisões em questões que  podem afectar a todos nós;  por outras palavras, a vida de milhões de angolanos não pode depender da vontade de uma franja restrita de cidadãos organizados em determinado partido político.

Tolerância, abertura e diálogo são condições para a existência de um clima saudável para os desafios do momento, que deve começar em tirar milhares de famílias angolanas da miséria extrema em que vivem, em dar emprego aos jovens que clamam por este Direito, bastas vezes incompreendidos e apelidados de bêbados, arruaceiros, enfim.

Angola não vive uma paz social, e o diálogo é inevitável, até porque o cenário de hoje não é o mesmo de ontem.

Mesmo com maioria absoluta, o MPLA terá de fazer concessões ou fazer cedências em grandes questões de interesse nacional, daí que o comunicado do seu BP tenha sido algo extemporâneo.

 

 

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