EDITORIAL

O poder paralelo da “tia Carol”

O entusiasmo vivido nos primeiros dias da luta contra a corrupção instituída pelo Presidente João Lourenço, após a sua eleição para um mandato de 5 anos, deu lugar, nos dias que correm, a um crescente desencanto, por força das medidas selectivas tomadas pelo Executivo, em que alguns acusados de desvios do erário vão às barras do Tribunal e de seguida à cadeia, e outros simplesmente vão para casa, com os respectivos casos arquivados.

O último caso flagrante do que acabamos de escrever prende-se com o processo judicial que pendia sobre o general Higino Carneiro, arquivado por decisão do Tribunal Supremo, por influência da ministra de Estado para o sector Social, de acordo com o que foi confidenciado ao jornal “O Kwanza” por uma fonte digna de crédito. Ou seja: A “tia Carol”, como é tratada pelos mais próximos, pôs, indirectamente, a mão no processo judicial contra Higino Carneiro, induzindo o Presidente da República a “ordenar” ao Tribunal supremo que o arquivasse.

Sobre o general na reserva pendiam acusações a igual a de outras figuras que estão encarceradas, depois de julgadas e condenadas, e em que Augusto Tomás, antigo ministro dos Transportes e deputado à Assembleia Nacional pelo MPLA, é dos rostos mais visíveis, por ter sido o primeiro a ser julgado e condenados, no início do tal combate à corrupção.

É notório que estamos diante de um peso e duas medidas, e que motivações terão levado Carolina Cerqueira a mover as suas influências para evitar que Higino Carneiro fosse a julgamento para responder pelos crimes de que era acusado, como peculato e má gestão do erário.

Dentro das rotas das especulações, pode-se aventar a possibilidade de Carolina Cerqueira ter tido receio de que, uma eventual ida do general às barras do Tribunal, pudesse desencadear um “terramoto político” que poderia envolver o seu irmão José Cerqueira que, na gestão de Higino Carneiro à frente da província de Luanda, foi seu vice-governador.

Fica, pois, difícil acreditar que diante de casos como esse o tão propalado combate à corrupção tenha pernas para andar, quando a independência do Poder Judicial é posto em causa todos os dias, com acusações que está amordaçado pelo partido no poder, o MPLA.

E há posições (aos montes e pontapés) tanto do Tribunal Supremo e como do Tribunal Constitucional que sugerem isso…

 

 

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