ANÁLISE

O PGR e a sua (grande) falta de autoridade moral

O jornalista angolano Graça Campos manifestou-se na sua página no Facebook contra a posição do procurador-geral da República, Hélder Pitta Grós que, na abertura da Conferência Internacional sobre Recuperação de Activos, afirmou que o País foi delapidado em 100 mil milhões de dólares que foram transferidos para contas no exterior e em paraísos fiscais. Uma reação contundente de Graça Campos que, com a devida vênia, “O Kwanza” transcreve já a seguir:

“Soa a insulto à inteligência dos angolanos a afirmação do Procurador Geral da República de que Angola foi desfalcada de 100 mil milhões de dólares.

A afirmação de Pitta Grós traz dois graves defeitos de fabrico: não contextualiza o período a que se refere o saque, e o número que adiantou parece retirado aleatoriamente de um qualquer sorteio.

Qualquer adulto angolano razoavelmente informado sabe que só entre 2002 e 2012 Angola teve receitas petrolíferas superiores a 600 biliões de dólares. Se empregue em Angola, essa dinheirama teria tirado o País do lamaçal em que se encontra. O PGR – como muitos outros – sabe que grande parte desse dinheiro foi roubado para ser escondido em paraísos fiscais e para suportar a boa vida de uns poucos no estrangeiro.

É um escárnio que em 2022, o PGR diga aos angolanos que foram esbulhados em somente 100 mil milhões de dólares. Aliás, a Pita Grós não sobra muita autoridade moral para falar dessa matéria.

Ele fez parte do “team” que, no outro tempo, dizia não existirem provas de roubalheira e de corrupção em Angola.

Pitta Grós e João Maria de Sousa, adjunto e chefe da Procuradoria Geral da República, fecharam deliberadamente os olhos ao saque desenfreado do País. Nos anos em que sinais do saque estavam à vista de todos, a turma de que Pita Grós fazia parte não aceitou investigar nenhuma denúncia de roubo ou corrupção.

Não há um único governante angolano do primeiro escalão que tenha sido encostado às boxes por roubo. E, no entanto, todos sabíamos que o país estava a ser escandalosamente roubado. Jornalistas, sim, foram sentados no banco dos réus, por ousarem denunciar o que todos viam, mas poucos ousavam dizer.

Pita Gróz e outros preferiram virar as atenções para os mensageiros e desprezaram a mensagem.

Em Angola, muitas pessoas têm autoridade moral para falar sobre o que foi roubado. Pita Grós não está entre elas.

Ao lado de João Maria de Sousa, Pita Grós alegava que o combate à roubalheira escancarada era dificultado pela falta de provas.

Hoje que está ao volante alega que a PGR não tem recursos humanos suficientes para perseguir implacavelmente os maiores ladrões angolanos.

Pita Grós evoca sempre algum imponderável para disfarçar a sua falta de vontade de dar caça aos larápios.

Como nota final: desde que foi lançada, a safra da cruzada contra a corrupção não sai dos 5 mil milhões, entre dinheiro e  outros bens materiais?

É que 5 mil milhões são uma gota mesmo no pequeno oceano de 100 mil milhões que (só) Pita Grós vê”.

 

1 comentário em “O PGR e a sua (grande) falta de autoridade moral”

  1. AS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DO ESTADO ANGOLANO CONTAMINARAM-SE COM A CORRUPÇÃO QUE ASSUMIU A DIMENSÃO DE SAQUE TOTAL POIS SEGUNDO ESCREVEU NO JORNAL KWANZA O JORNALISTA GRAÇA CAMPOS DE 2022 2014 O PAÍS TEVE RENDAS NA PRODUÇÃO PETROLÍFERA NA ORDEM DOS 600 BILHÕES DE DÓLARES. A INFORMAÇÃO RECENTE DO PROCURADOR GERAL DA REPÚBLICA PECA POR GRAVE OMISSÃO NO ESPAÇO E NO TEMPO. ANTES A PGR NÃO INVESTIGOU POR FALTA DE PROVAS E HOJE POR ALEGADA FALTA DE QUADROS. ORA ESSA SE NÃO É DO CU É DAS CUECAS!!!

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