FOI EXECUTADO HÁ 61 ANOS

Autoridades belgas devolvem dente de Patrice Lumumba à família após anos de litígio judicial

Nesta segunda-feira, 17 de Janeiro, assinalam-se 61 anos da execução do primeiro-ministro Patrice Lumumba, uma data prevista para a chegada à República Democrática do Congo da única parte dos seus restos mortais, um dente, para ser entregue à família.

Em 2021, o ministro da Comunicação Social congolês e porta-voz do Governo, Patrick Muyaya, informou que, devido ao aumento de casos de Covid-19, a República Democrática do Congo adiara para 17 de Janeiro o repatriamento dos restos mortais do primeiro-ministro Patrice Lumumba, que conduziu o país à independência, em 1960.

O Presidente Tshisekedi anunciara no final de 2021 que a transladação aconteceria em 30 de Junho, uma data significativa, uma vez tratar-se do dia em que o país comemora a sua independência da Bélgica, alcançada em 1960.

Lumumba tornou-se primeiro-ministro em 1960, aos 34 anos, após defender o fim do domínio colonial da Bélgica, mas viria a ser detido e aprisionado após um golpe de estado e a subida ao poder de Mobutu Sese Seko.

Em 17 de janeiro de 1961, Lumumba foi executado na província congolesa de Katanga, no sul do país, na presença de líderes locais e de agentes dos serviços de espionagem da Bélgica e dos Estados Unidos da América.

No dia seguinte, o seu corpo foi esquartejado e dissolvido em ácido sulfúrico por ordem de Sese Seko, restando actualmente, um dente, alegadamente extraído por um polícia antes do desaparecimento do cadáver.

Após anos de litígio, o dente será finalmente devolvido à família de Lumumba. Em Setembro de 2020, um tribunal belga autorizou a devolução dos seus únicos restos mortais conhecidos.

Patrice Émery Lumumba nasceu como Élias Okit’Asombo em Onulua, na região de Sankuru, na etnia Batetela, ex-Congo Belga, actual República Democrática do Congo (RDC), aos 2 de Julho de 1925.

Foi um líder anticolonial e político congolês que optou pelas ideologias anti-imperialistas e do pan-africanismo, defendendo a solidariedade entre os povos da África para além dos limites de nação, etnia, cultura, classe e gênero.

Após a conclusão dos estudos básicos, deixou a zona rural de Sankuru. Aos 18 anos, conseguiu um emprego na companhia Symaf (Syndicat Minier Africain), na cidade de Kindu.

Em 1954 obteve da administração colonial belga, um documento que equivalia a uma cidadania belga aos congoleses.

Em 1955, dá início as suas actividades políticas ao se tornar presidente de um sindicato de funcionários públicos congoleses, não filiados às federações sindicais belgas (a socialista ou a católica). Filiou-se também ao Partido Liberal da Bélgica.

Em 1956,  foi convidado com outros colegas para uma visita de cunho acadêmico à Bélgica, sob os auspícios do ministro das colonias, sendo preso na volta, sob acusação de defraudar o sistema dos correios coloniais. Sentenciado a dois anos de prisão, sua pena foi convertida a 12 meses.

Em 1957, após Lumumba deixar a prisão, torna-se mais activo na política, muda-se para Léopoldville, capital do congo belga (actual Kinshasa), onde conseguiu um trabalho na cervejaria Bracongo.

Em Outubro de 1958, em conjunto com outros dirigentes congoleses, lança o Movimento Nacional Congolês (Mouvement National Congolais, MNC), primeiro partido nativo, e em Dezembro do mesmo ano participou da primeira Conferência Pan-Africana do Povo, em Accra, onde se encontrou com líderes nacionalistas do continente africano.

Inspirado pelos ideais do pan-africanismo, sua visão e seu vocabulário assumiram um teor do nacionalismo militante, optando pela ideologia anticolonial do “neutralismo positivo”, defendendo a unidade nacional entre as diferentes etnias que compunham o Congo e da libertação do domínio belga.

Lumumba liderou novas manifestações de desobediência civil e pela independência imediata do Congo. Em 30 de Outubro de 1959, foi preso após um acto político em Stanleyville, cujo saldo foi de 30 manifestantes mortos.

Com Lumumba preso, o MNC decidiu mudar de táctica e entrou nas eleições locais, tendo uma vitória arrasadora em Stanleyville (90% dos votos).

Em Janeiro de 1960, o governo belga convocou uma conferência em Bruxelas com todos partidos congoleses para discutir a transição política, sendo obrigado a tirar Lumumba da cadeia, uma vez que o MNC se recusou a participar sem a sua presença.

Foram assinados os protocolos que detalhavam a transição do poder para um governo congolês, com as eleições nacionais em Maio e a data para a independência em 30 de Junho.

Em 23 de Junho de 1960,  forma o primeiro governo, sendo presidente do país Joseph Kasavubu e Patrice Lumumba primeiro-ministro.

Após conquista da independência, instalam-se diversas rebeliões no país e o presidente Kasavubu dissolveu o governo do líder nacionalista três meses após assumir o poder, mas o primeiro-ministro contestou a legalidade das eleições presidenciais.

Com  crise a politica instalada, Joseph Mobutu lidera um golpe de estado, em Setembro, incapacitando tanto Lumumba como Kasavubu .

Lumumba ocupou o cargo apenas por 12 semanas. Ao tentar fugir para o leste do país, seria capturado algumas semanas mais tarde, sendo morto em Janeiro de 1961.

 

 

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